quarta-feira, 11 de julho de 2007

Estranho

Crio amores, invento nomes, fixo rostos.Até sangro por meus surreais amores. E tremo também. Há algo de pesado dentro de mim, mas é tão somente por estar vazio.Ti ver, assim, tão austero, virar as costas e sair andando, parece-me estranho. Tem um som no meu ouvido e deixa-me incrivelmente melancólica e nostálgica... Só queria alguém para dividir esse momento e dizer o quanto gostei dessa música e o que ela me causa...Estranho; até mesmo o desconhecido que sentou-se ao meu lado eu olhei, analisei e não, não posso cutucar ele com o cotovelo direito e perguntar : “ei, moço, você já ouviu essa música?”. Não, uma análise mais detalhada leva-me a crer que ele nunca, nem sequer, ouviu falar de tal banda. Viro pro lado e tento ti achar, fosses por um caminho escuro e sua cabeça branca eu não posso daqui avistar (a intenção não era a rimar). Encosto a cabeça no vidro frio e observo, com estranho pesar, um estreito caminho ladeado por gramas. As luzes da cidade, amarelas, causam-me uma estranha sensação que não sei o que é. Continuo ouvindo a música e querendo alguém para dizer, para compartilhar... Não quero alguém para chamar de meu, não! É somente um momento digno de ser dividido. Adoro a minha solidão, adoro as músicas que mudam meu estado de espírito, adoro meus amores. Eu amo o silêncio, isso não é segredo, amo a névoa tênue que o envolve. Alguns segundos perduraram e eu sorri. Eu sou quem eu sempre quis ser. De tão intensa torno-me frágil. Eu leio livros, ouço músicas, pulo de um prédio, tudo para me sentir viva, e eu me sinto. Não estou amorfa como julguei estar e nem perdida, quando tentei me encontrar. Estou dentro de mim. Na minha solidão, nas músicas mágicas não compartilhadas, nos solos de guitarras que choram, mas eu sorrio: eu me sinto viva! Deveria estar estudando, ainda não entendi aquela maldita fórmula de matemática, mas tenho que escrever da minha volta pra casa. Tenho que escrever desse momento estranho, desse sentimento estranho, desse homem estranho, desse dia estranho. Apenas a música não é estranha e ela faz parte de mim. Todo o resto do mundo o é...

domingo, 8 de julho de 2007

Janela de ônibus

Pessoas vem e vão, pra onde?
Penso que nem elas saibam.
Algumas entram outras saem muitas permanecem, algumas querem apenas me chamar a atenção!.
Muitas tem pressa, outras observam, mais que eu, outras comem pelos olhos.
Lá fora a imagem corre, depressa, corre como um filme sem som, para mim. Não posso me ousar a nomear, nem sequer dar um final feliz.
De repente, estou na metade do meu destino, olho ao meu redor.
Olho também em quem olha em mim, e meu filme continua sem nome e sem som lá fora a passar, rápido, mas sem pressa, sempre diferente, sou um telespectador! De belezas, formas, cores e de emoções.
A imagem continua a correr, pessoas entram e saem ainda indo e vindo num ritmo que não acaba mais! Novas cores e formas surgem, mas ninguém me chamou a atenção, as emoções são as mesmas.
E agora cheguei ao meu destino, preciso descer.