quarta-feira, 25 de julho de 2007

O Que Escraviza

Foram horas calculáveis, há um certo tempo...Tênue, fino, frágil, mas foram as minhas doces horas, ao qual o tempo depois delas tornou-se insignificante. Cravado, obra rara, um único nome em revelo em minha alma.Saudade!Que me escraviza, que consome...As horas.
Depois de ti, uma seriedade alcançou-me. O meu silêncio!Ah!Como falam dele. Será se não tenho nada à dizer?Silencio.Quando me encontrava confusa e perdida, eu podia virar para o lado e ti olhar nos olhos. Tentei, Deus como tentei! Criei coragem pra sorrir, pra olhar, pra querer, pois isso, nem isso eu conseguia. Mas, passavam-se os dias, tudo o que eu tinha era o relógio, em tic-tac, me mostrando que as horas passavam e nos distanciavam... Sabe aquelas frases prontas? Sim, eu as uso: tudo perdeu a graça. Não queria mais ter o cabelo vermelho, não queria mais tocar piano, nem mesmo falar alemão.Você me motivava pelo simples existir, pelo respirar, por rir de mim, pra mim, comigo. Agora, as horas continuam passando. Se amei? Sim, intensamente, numa tarde, num período, numa noite; mas bastava olhar nos olhos e eu podia ouvir uma voz fraca, tímida, rebelde que gritava desesperada dentro de mim: ‘quem você quer enganar?’
Eu tenho que tentar!, respondia de volta, confusa, me levantando pra ir embora.Ninguém entendia nada! As horas, como cinzas, me são palpáveis e num vaso de barro estão guardadas secretamente revelando a essência daquilo que fosses para mim.Sem jogos.Por isso ti amei tanto. Éramos dois.Éramos um.Agora não sou nada.Perdi em mim o que ti dei, e foi o meu melhor. Hoje esse trapo vestindo panos de saco, caminha, caminha, caminha. Às vezes têm pressa, às vezes não quer chegar, na maioria das vezes não sabe para onde quer ir. Até sabe, mas não pode...Por que, meu Deus, por que?
Aprendi a argumentar. Sim. Não sou uma mulher inconveniente que bate à sua porta as três da manhã. Entretanto, por que não sou uma mulher inconveniente? Por que? Por que não exijo, não grito, não quebro taças, não chuto portas? Por que? Por que não sou daquelas meninas chatinhas que manda mensagens de celular? Por que não ti deixo milhares de recados no Orkut? Por que ti exclui do msn? Porque não sou inconveniente!Droga de classe!Droga de maturidade, de aceitação, de conformismo!Deixei rastros, pistas, ti escrevi cartas, tudo para você me achar.Mas eu sei que não vens e isso dói pra caramba! Escrava sou de mim mesma, eterna súdita à você, amor!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Estranho

Crio amores, invento nomes, fixo rostos.Até sangro por meus surreais amores. E tremo também. Há algo de pesado dentro de mim, mas é tão somente por estar vazio.Ti ver, assim, tão austero, virar as costas e sair andando, parece-me estranho. Tem um som no meu ouvido e deixa-me incrivelmente melancólica e nostálgica... Só queria alguém para dividir esse momento e dizer o quanto gostei dessa música e o que ela me causa...Estranho; até mesmo o desconhecido que sentou-se ao meu lado eu olhei, analisei e não, não posso cutucar ele com o cotovelo direito e perguntar : “ei, moço, você já ouviu essa música?”. Não, uma análise mais detalhada leva-me a crer que ele nunca, nem sequer, ouviu falar de tal banda. Viro pro lado e tento ti achar, fosses por um caminho escuro e sua cabeça branca eu não posso daqui avistar (a intenção não era a rimar). Encosto a cabeça no vidro frio e observo, com estranho pesar, um estreito caminho ladeado por gramas. As luzes da cidade, amarelas, causam-me uma estranha sensação que não sei o que é. Continuo ouvindo a música e querendo alguém para dizer, para compartilhar... Não quero alguém para chamar de meu, não! É somente um momento digno de ser dividido. Adoro a minha solidão, adoro as músicas que mudam meu estado de espírito, adoro meus amores. Eu amo o silêncio, isso não é segredo, amo a névoa tênue que o envolve. Alguns segundos perduraram e eu sorri. Eu sou quem eu sempre quis ser. De tão intensa torno-me frágil. Eu leio livros, ouço músicas, pulo de um prédio, tudo para me sentir viva, e eu me sinto. Não estou amorfa como julguei estar e nem perdida, quando tentei me encontrar. Estou dentro de mim. Na minha solidão, nas músicas mágicas não compartilhadas, nos solos de guitarras que choram, mas eu sorrio: eu me sinto viva! Deveria estar estudando, ainda não entendi aquela maldita fórmula de matemática, mas tenho que escrever da minha volta pra casa. Tenho que escrever desse momento estranho, desse sentimento estranho, desse homem estranho, desse dia estranho. Apenas a música não é estranha e ela faz parte de mim. Todo o resto do mundo o é...

domingo, 8 de julho de 2007

Janela de ônibus

Pessoas vem e vão, pra onde?
Penso que nem elas saibam.
Algumas entram outras saem muitas permanecem, algumas querem apenas me chamar a atenção!.
Muitas tem pressa, outras observam, mais que eu, outras comem pelos olhos.
Lá fora a imagem corre, depressa, corre como um filme sem som, para mim. Não posso me ousar a nomear, nem sequer dar um final feliz.
De repente, estou na metade do meu destino, olho ao meu redor.
Olho também em quem olha em mim, e meu filme continua sem nome e sem som lá fora a passar, rápido, mas sem pressa, sempre diferente, sou um telespectador! De belezas, formas, cores e de emoções.
A imagem continua a correr, pessoas entram e saem ainda indo e vindo num ritmo que não acaba mais! Novas cores e formas surgem, mas ninguém me chamou a atenção, as emoções são as mesmas.
E agora cheguei ao meu destino, preciso descer.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

....Certeza...

Essa noite
Ri me das minhas juras, do meu erro...
O silêncio satirizou aquelas palavras e frases precipitadas
Que estamparam-me a face
Mas que não fazem parte do meu espírito.
Aquilo o que reina dentro de minha alma viva
Não o sabes, não o sabes!
Resta-me o riso mal, àqueles que se deixaram levar
Para nunca, sim querido, nunca mais voltar.
Não penses que não lhe quis bem, amor.
Mas nessa noite branda e pálida
Enterro a caridade.
De alívio, um suspiro rouco rasgou o ar,
Sólida e inteira encontro-me em paz.
Olhando o céu e vendo a face de Deus
Sorrindo pra Ele e insistindo em esperar..
Dancei em meu tumulo e zombei de minha lápide.
Agora eu não quero mais ficar.