sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A Casa Vazia

Eu estava ainda longe, mas já podia constatar: a casa estava vazia. Encaminhei-me para lá sem saber se estava andando rápido ou devagar, apenas caminhei, sem pensar, pensando mil coisas, andando...Sem nenhum sinal externo de perturbação ou paz.
Aproximei-me do portão e como de costume estava entreaberto, empurrei-o suavemente ouvindo o ranger do velho metal há muito exposto. Subi as escadas úmidas tentando ver dentro da casa com a porta ainda fechada, mas eu sabia, sabia que a casa estava vazia.
A casa estava vazia.
No bolso direito do casaco que me deras, agora velho e surrado, senti uma vibração, com a mão um tanto tremula segurei o celular: Vinicius chamando. Ignorei. Continuei a subir e olhei a rua, silenciosa e pacata como sempre, sempre fora assim. Lembrei-me quantas horas ficava sentada nessa mesma escada, agora revestida de limo, olhando a rua e a enorme árvore no quintal do vizinho.Enquanto fazia isso, da casa exalava o cheiro exótico do café sendo preparado na moca, que tomávamos ali mesmo, ouvindo o silêncio e o farfalhar do vento nas folhas das árvores, que não são raras por aqui. Olhei a árvore, exuberante, imune, indiferente à minha partida, ela permanecia firme, como se não sentisse a minha falta, e não sentia mesmo...Com isso virei-me chegando em fim diante da porta. Olhando a madeira pintada por nós de verde, não sabia se respirava; no meu bolso esquerdo puxei a chave e o chaveiro, uma foto nossa, meus cabelos ainda eram vermelho... O gentleman e sua ruiva.
Abri e entrei. Ainda pude sentir o mesmo cheiro, aquele cheiro que eu conhecia tão bem, de cabelos crespos molhados saindo do chuveiro, aquele seu cheiro de shampoo. Olhei os espaços desocupados, o piso, a parede branca e vazia da velha estante. Não sei quanto tempo fiquei ali, ouvindo nossas risadas, juras, nossas brigas. Vendo o tapete manchado de vinho, as almofadas pelo chão, os pratos na pia. Ouvindo sua voz, ouvindo a minha, tudo numa triste casa agora vazia. Não tinha mais Iron, nem pedal duplo, nem guitarras distorcidas...Nada estava no lugar.
Com um suspiro argumentei.Coisas que todas as pessoas fazem para provar a si mesmas que foi melhor assim. E por mais incrível que pudesse parecer, o vento continuava soprando lá fora, as flores retornaram depois do inverno, a semente de pimenta que semeamos cresceu e suas folhas tímidas ao céu dirigem-se. Escutei no terreno ao lado o balanço indo e vindo com as gargalhadas despreocupadas de uma criança feliz. A vida simplesmente continua, não pára. Com a face voltada ao sol deixei-me aquecer e enchi meu espírito de uma paz inexplicável. Num outro tempo, refúgio encontrava eu aqui, contudo essa casa estranha já não é meu lar. Não há mais aconchego numa casa vazia!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

diário

O telefone toca eu já não me esforço a atender
a música no ar já nao me provoca lagrimas de outrora
a sua presença ou ausencia já sao quase imperceptiveis
a criança que chora de pé no chao,já nao me descentraliza
o sol que brilha na manha de domingo,já nao me causa furor
aquela for solitária e linda que ninguem viu, já nao me atrai
a roupa do manequim já nao cativa mais meu olhar fixo
a cidade iluminada já nao deixa eu ver meu rosto perdido
aquele livro misterioso já nao costuma relevar nada sobre mim
o carro do ano nao me faz pecar de novo, nem mesmo a mansao
as pessoas me amam mas,já nao sei se eu me amo.
não acredito mais em disco voador, pai noel, uma pena isso.
eu também já nao sinto mais as batidas do meu coração.
já nao sei se estou no céu ou na terra, ou no inferno porque nao?
não adianta chamar minha atenção meus sentidos estao paralisados.
minha mente ja nao pensa mais, apenas respira e inspira o ar.
ja nao faço questao que leism isso, por isso seja livre em cessar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

...

Correu até exaustão
Sem forças tombou à beira da estrada.
Os transeuntes apressados empurravam com o calcanhar aquele corpo inerte tirando-o do caminho.
Com a fraca consciência que lhe restava ficou em paz o seu espírito aguardando um milagre.
Esvaiu-se em pó.
O samaritano jamais viera.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

seja você

Aproveita o novo renove
busque respostas aposte
a inteligencia é uma arte
e não há quem a supere
Aposte em voce que ninguem vê
seja o centro a lateral o vento
viva a ação com sonhos e lamentos
jorre sangue suor queira vencer
Seja por inteiro nao importa quem seja
erre acerte incente crie faça e aconteça
o tempo nao pára sua mente pode
encontre exclareça sinta-se gente.

quero

Ah! eu quero tudo
eu não quero nada
eu quero o futuro
o presente me mata
Busco a euforia e o
tedio me deixa opaca
eu tento gritar mas
minha voz nao ultrapassa
eu quero correr mas
o vento me afasta
eu quero te ver
mas meus olhos
não vê se embassa
eu quero o vento, o tempo
mas eu tenho é casa,
eu quero voar, cansar
eu tenho é pes, nem
por insistencia não levita
eu quero o firme seguro
sensivel, sutil sem falsa
sem pinta parece fumaça
eu quero o artista
sou apenas palhaço
quero um monte
eu tenho um maço.

domingo, 2 de setembro de 2007

rimas ao vento

A essencia me revela
puro silencio escuro
arte beleza em vulto
será apenas donzela?

Sonho leve sublime
pele nobre desejo
no instante te vejo
amor nao imagine

Sobrevivo no seu riso
ação emoção reação
dor asas coração
palavra risco palito


Tudo escuro muro
conflito céu infinito
força vibra figa
decida prossiga siga

se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã
Mudaria hoje meu visual
diria a voce o quanto te amo
Te daria aquele beijo guardado
Daria cambalhota em plena avenida
Andaria pelas ruas sonhando acordado
Falaria com todo mundo que
passasse ao meu lado
não esconderia se
caso estivesse apaixonado
Comeria num restaurante
um prato bem preparado
doaria todo o dinheiro
há tempos guardado
Se eu morresse amanha
Tomaria um banho bem gelado
Me arriscaria pelo mundo
entraria sem ser convidado
Se eu morresse amanha
revelaria meus sonhos e desejos
publicaria um livro
contando tudo sem medo
Se eu morresse amanha
Sentiria alegria tristeza
e até medo
medo de ter te magoado
e nao ter sido desculpado
Se eu morresse amanha
sentiria saudades do
tempo por aqui passado
das loucuras que não cometi
dos sonhos que deixei de sonhar
das pessoas que nao soube amar
se eu morresse amanha
Ah sei lá o que me da
quero por um instante
com todos estar
Se eu morresse amanhã
E se acaso eu nao mais voltar
deixaria voce como lembrança
de alguem que um dia teve esperança
com um coração de criança
Tentava rir pra não chorar.