sexta-feira, 25 de maio de 2007

Ele é apenas um bom ator

Não há como negar.
Sua sagacidade marcante emaranha todos os pensamentos lógicos deixando-me sem nenhum.Desordenadamente, minha mente temerosa tenta fugir de tal cena.
A vida é um vício.Ela se repete.Não há como não temer diante de tais olhares.Não!,não estou vendo coisas, tampouco interpretando mal o que realmente é.
São apenas olhares de mestre, que gentil ao extremo confundi-me a razão.
Vulnerável criatura abandonada me tornei.
Náuseas acometem-me pelas manhãs frias.As ruas vazias trazem-me um rosto.Um medo como de morte me lança para a solidão e descrença; lança-me ao infortúnio antecipado.Durantes os meses passados, tudo estava em paz.
Alarmante tal dado.Não quero a repetição.Não quero dias maus vividos.As manchas púrpuras que mascaro com seriedade ou com um grande sorriso, ainda são vívidas demais para eu simplesmente ignorar.Não consigo entender como aprendi tão bem suas lições que aos gritos me falastes; as palavras ásperas que ouvi enquanto crescia.Palavras estas que abalaram minha estrutura.Palavras do protetor.Palavras de quem eu depositara toda a minha confiança.
Tudo estava em paz.
A cena dramática que se segue é de um protagonista com um figurante.Pode existir?Impossível.Ainda não entrou em cena a coadjuvante.Mas, eu conheço tal obra, sei seu final dramático no qual eu ao menos tive um segundo de momento bom para recordar.Lá no canto escondido, ainda existe uma romântica incorrigível, mas eu não quero embebecer-me desse vinho.Por esses dias de confusão, caminhei buscando em mim forças, não a encontrei.Anseio a chegada de uma nova vida.Nunca vi tão belo conjunto de perfeições dispostas.Clamo em silêncio por um pouco de fé.O ninho dos braços da ilusão inebriante que criei para protege-me nem ao menos tem conhecimento da estrada solitária que trilhei.Sou capaz de amá-lo em silêncio pelos longos meses que a minha frente estão estendidos...Entretanto, sei das suas artes cênicas, da sua eloqüência, do seu modo convincente de desempenhar o seu papel diante de seu público que o ouve com grande interesse.Àquele par de olhos azuis traiçoeiros não dirijo o meu olhar;pare de expressar suas mentiras, meu querido ator.Pare de mentir.Pare de ilustrar minha mente com seus enganos sutis.Sabes agora que o teu nome é Ator.E para a vida seguir tranqüila o seu rumo, sempre serás para mim um mero ator.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Amigo

Amigo querido,
O passado fugaz tornou-se névoa
As lembranças tênues não repousam jamais
A força que nos impulsionava
Há dias perdeu sua razão
A voz que agora fala é fraca
Moribunda...
As palavras e frases trancadas numa boca calada
São meras dançarinas da ilusão.
No corroído passar dos dias sem fim,
A luz da outra casa não traz clarão.
Silencio os dias de equivoco,
Trancando seguramente minha mente nada segura,
Desse modo mordaz de tentar sobreviver.
Numa casa triste vazia sem chão,
Onde perdi minha razão e não tenho contentamento,
Casa de refúgios sombrios e de datas que não mudam.
Presa no martírio de um sentimento enganoso.
Amigo querido,
Não quero fenda em minha couraça,
Não quero mancha em meus vestidos
Não os quero mais!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

,,,Silenciosos momentos....

Somente mais um dia de silenciosos suspiros roucas em boca lacrada.
Dias de esperas e...como deveras falastes!Silenciosas esperas em nada fundadas.
Esperas essas da morte do homem já morto a tantos anos!
Morte fria essa de quem revelou-me um rosto aos tempos sombrios de dias finos, quase se partindo de tão frágeis.
Dias de chuva e caminhadas solitárias a beira da loucura.
Morreu...Mente extasiada, sem força, sem nada!
Lançando ao pensamento insano um pouco de discernimento.
Tentando ouvir de um lugar onde habita o silêncio confortante de uma voz que não se pronuncia.
Ah!Como quisera eu poder derramar as velhas lágrimas tão cheias de esperanças!
Nas poeiras do passado, a sombra da mais difícil decisão.
Ao chegar ao longe, distante silêncio que até aqui me perseguiu, sem o meu amor e meu amante!
Quisera eu ter tido um!Um a quem pudesse chamar de amor ou de amante!
Permaneci no silêncio desafiador de quem muito já teve o que falar, mas hoje encontra-se perdido na sombra tênue de uma luz a muito apagada!
No caminho para o norte eu não tenho mais o que encontrar, no sul tranquei a estrada...Na fronteira do meu mundo abandono ainda muitas coisas que me são caras.
Exilada na montanha, nova vida à minha perda!
As criaturas chamadas “racionais” delas só quero me afastar!Alimentando-me secretamente com cello ou Chopain!Saciando em mim o silêncio!
Doce silêncio esse que me deixas por herança!
Tantos dias de silêncio, chuva e névoa tenho que trilhar!
Abandonando de forma radical a fagulha da última chama de esperança.
A razão e a lógica, já não as tenho, no seu sepulcro e as deixei!
Quisera eu o contentamento de dias vazios e barulhentos!
Quisera eu um pouco mais de contentamento!Quisera eu um pouco mais de ilusão!