terça-feira, 1 de janeiro de 2008

desmembrando

Hoje resolvi colocar você no bolso
desliguei o telefone, para não ouvir sua voz
espalhei meus guardados pelo tapete
virei seu porta retrato da sala, que sorria
quando eu chegava em casa, todas as noites
joguei fora todos os meus escritos da agenda
agora eu ando por ai, tentando entender minha
historia louca inventada sem nexo toda fosca
nada eleva meus sentidos, me esforço alem
de minha capacidade habitual de ser
quando paro e avalio tudo me vem algo ridiculo
insensato, incoerente, e tudo mais que possa
ser nomeado, mas também é fato, prova que eu
existo.
Sou louca sem loucura, parada no tempo e na
vida esperando a morte e minha sepultura
quebro as paredes internas que por hora me
sufocam, ele é vulto me assombra me persegue
me mata, várias vezes por dia, e uma vez toda
noite sem cessar. Eu mesma me velo em meia luz
ao som baixo do pequeno instrumento barulhento
no canto do quarto aquecido com meu calor humano
e meu amor doce e sereno, em companhia com minha
única via rapida de acesso ao seu eu totalmente
blindado a 7 chaves do outro lado do seu mundo
distante a milhoes de milhas do meu deserto esquecido.
A vela exala um perfume funebre envolto ao meu cheiro
de lavanda, do meu sabonete natural, escondido na primeira
gaveta, do armario que sempre me olha enquanto durmo.
lagrimas são pequenas gotas de agua salgada aquecida ainda
Vou-me agora em silencio como sempre deixo poucas palavras
sobre aquele papel usado, agradecimento a todos e a ninguem
não sabia bem o remetente, pane normal de ultima hora.
ninguem quis se comprometer, nao deixaram endereço, entao
eu sai. Se eu voltarei um dia?
O destino lança-nos esse desafio.

Um comentário:

Anônimo disse...

ta lindo.....

::

desafios.....